A reinvenção de Roger Federer

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Por Sylvio Bastos  •  21 de Março de 2017

Muito mais importante do que falar do título de Indian Wells, o 90º na carreira de Federer, acredito que esse momento serve para comprovar o quanto é possível evoluir, mesmo que não se tenha que provar mais nada para ninguém, independente da idade que se tenha.


Depois da vitória em Melbourne, no Australian Open, apareceram muitas teorias para se explicar o nível alcançado por Federer depois de seis meses parado. Na minha modesta opinião, a condição física é o fator imprescindível para tudo isso estar acontecendo. Tem muita gente creditando a evolução do backhand ao trabalho do atual treinador, Ivan Ljubicic, por ele ter tido também um belo backhand, como se o Edberg não soubesse os segredos desse golpe, logo ele, que teve um dos melhores backhands da história. Federer nunca precisou de um treinador para cuidar dos seus golpes, mas sempre gostou de ter por perto pessoas que admirava e respeitava, para falar de tênis e trocar ideias sobre seus jogos.


Assistindo atentamente aos jogos, é certo que o equilíbrio do corpo está em total harmonia com a movimentação das pernas, isso significa que mesmo sendo obrigado a se mexer de um lado para o outro da quadra, o suíço consegue na maioria das bolas estar com os pés bem firmes na chão, dando base para acelerar os golpes.


Essa fase atual de Federer acaba proporcionando jogos muito rápidos e uma superioridade muito grande. Depois do jogo contra Nadal, ouvi de muita gente a seguinte frase: “Nadal jogou muito mal” ou mesmo que Federer “tinha dado sorte”. Quando se tem dois jogadores dentro de uma quadra de tênis, é sempre muito difícil avaliar o quanto um jogador consegue impedir o outro de fazer aquilo que tinha programado. Mas quando se trata de um jogador como Federer, fica muito claro que o mérito é todo dele.


O que mais me impressiona nisso tudo não é o nível técnico que ele conseguiu chegar, mas o tipo de motivação mental que ele conseguiu alcançar, para poder trabalhar a parte física dessa forma. Mesmo depois de tudo que já conquistou, não só em resultados, mas também em prêmios, parece que o prazer pela evolução é infinitamente maior que uma possível acomodação, totalmente normal para um jogador que já ganhou tudo na vida.


Depois de um início de ano impressionante de Federer na quadra dura (ele ainda joga Miami), começa a temporada no saibro e talvez a minha maior dúvida para esse ano. Como já duvidei outras vezes e acabei me dando mal, prefiro dessa vez não afirmar mais nada, apenas torcer para que ele continue motivado e siga trabalhando, para o bem do tênis.


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