Grand Slam é para poucos

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Por Sylvio Bastos  •  19 de Janeiro de 2019

A frase “Grand Slam é para poucos”, não é apenas uma opinião, é uma constatação, uma dura realidade que os números dos últimos 15 anos confirmam com muita precisão. Desde 2004, foram jogados 60 Grand Slams, dos quais 50 deles foram vencidos por Federer (19), Nadal (17) e Djokovic (14). Os demais tiveram Murray (3), Wawrincka (3), Safin (1), Gaudio (1), Cilic (1) e Del Potro (1) como campeões.

Assistindo aos jogos do Australian Open desse ano, sinto muito clara a dificuldade dos jogadores de ranking mais baixo e também dos mais novos, de se entender dentro da quadra em um torneio de duas semanas, com jogos de 5 sets. Os jogadores iniciam no juvenil com partidas em 3 sets, depois na transição para o profissional seguem nesse mesmo formato, e quando finalmente chegam ao Top 100 se deparam com esse novo desafio, uma mudança radical na forma de se jogar. A dosagem da energia e da intensidade dentro da quadra, o físico e assim como a concentração, são fatores que não se aprendem tão de imediato, quando se atinge esse nível de ranking. Se compararmos os desempenhos nos diferentes eventos ao longo do ano, podemos confirmar essa grande diferença nos resultados.

Sinceramente não sei se quando os Grand Slams foram idealizados, mais de cem anos atrás, esse era o real objetivo do formato, mas o certo é que ao longo dos anos isso acabou nivelando bem pelo alto os quatro Majors. Por esse mesmo motivo, dificilmente tínhamos resultados inesperados na Copa Davis. No novo formato, já a partir de 2019, isso vai acontecer com mais frequência, resultados improváveis devem acontecer esse ano. Só espero que essas inovações ou mudanças não interfiram na verdadeira essência do tênis, onde o vencedor é aquele mais completo, que além de ter os golpes, também saiba à hora de usar cada um deles e também tenha a força mental, enfim, que o mais completo e preparado sempre vença!

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