Lendas do Tênis: Thomaz Koch

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Por Nittenis News  •  18 de Maio de 2020

No mês em que comemora mais um ano de vida, Thomaz Koch, uma lenda viva do tênis brasileiro, foi o nome escolhido pela Nittenis para abrir esta série de homenagens aos grandes tenistas da história mundial do esporte.

Para contar com detalhes a vida profissional e pessoal deste talentoso e carismático personagem, precisaríamos certamente de um ou mais livros, por isso nossa intenção aqui será apresentar de forma resumida as passagens mais relevantes de sua intensa e profícua carreira.

As informações foram coletadas em livros, os quais faremos menção ao final do texto, e para os quais desde já recomendamos a leitura como forma de conhecer em detalhes as grandes conquistas, bem como os reveses e fracassos da história deste grande atleta e personagem gaúcho.

Nascido em Porto Alegre em 11 de maio de 1945, Thomaz Koch começou no tênis aos 5 anos de idade. Seu professor naquela época era o polonês Leon Jucewitz, e com ele Koch teve suas primeiras aulas. Sua principal referência no esporte foi Luiz Fernando, o Kocão, seu irmão mais velho. Talentoso, Luiz foi campeão brasileiro infantil e integrou durante três anos a equipe juvenil que disputava a Copa Patiño, um sul-americano por equipes. Kocão representava o Brasil ao lado dos paulista Carlos Alberto “Lelé” Fernandes, Pedro Bueno e Pedro Guimarães.

Aos 10 anos, Koch ganhou seu primeiro Brasileiro na categoria 9 a 12 anos, na qual seria tricampeão. Foi bicampeão na categoria seguinte, 12 a 15 anos, perdendo apenas no primeiro ano. Aos 15 anos já disputava a Copa Patiño na categoria 15 a 18 anos, em Lima, Peru.

A ascensão mundial de Koch começou em 1963. Em dezembro daquele ano sagrou-se campeão do Orange Bowl, o mundial juvenil disputado na Flórida. Ao lado de Maria Esther Bueno ganhou a medalha de prata em duplas mistas nos jogos Pan-americanos, em São Paulo, e em parceria com Iarte Adam levou a de bronze. Aos 17 anos chegou à final do Aberto da Venezuela, perdendo do 2º do mundo, Santana, em quatro sets. Na semifinal havia derrotado Roy Emerson, então primeiro do mundo, por 6/4, 3/6, 6/4.

Foi considerado,na década de 1960, o grande talento do tênis brasileiro. Chegou à semifinal do Aberto dos Estados Unidos, tendo sido considerado em 1963 o melhor tenista de 18 anos do mundo.

Em 1965, foi campeão do Aberto de Gstaad, derrotando o compatriota Ronald Barnes por 6/3, 6/1, 7/9 e 7/5. Nas duplas, ele e Barnes foram os campeões.

No Aberto da França e ainda como tenista amador, em maio de 1968, Koch chega às quartas-de-final depois de eliminar o favorito francês François Jaufret por triplo 6/1. Nas quartas foi derrotado pelo australiano Ken Rosewall, de 33 anos, que havia conquistado seu primeiro título no saibro francês em 1953, por 8/6, 6/2, 3/6 e 6/3. Ken acabou ganhando o torneio ao derrotar o conterrâneo Rod Laver na final por 6/3, 6/1, 2/6 e 6/2. No Grand Slam francês já havia chegado às quartas em 1963, repetindo o feito em Wimbledon no ano de 1967. Ainda no saibro de Paris tornou-se o primeiro brasileiro a vencer um torneio de Grand Slam nas duplas mistas, em 1975, ao lado da tenista uruguaia Fiorella Bonicell.

Com Maria Esther Bueno foi, entre outras campanhas, semifinalista em Roland Garros e vice-campeão Pan-americano.

Thomaz foi o primeiro brasileiro a fazer a passagem do tênis amador para o profissional. Esteve entre os 20 primeiros colocados do mundo como amador e em dezembro de 1974, já como profissional, alcançou o 24º posto. Em 1980, aos 35 anos, ainda ocupava o 56º lugar do ranking da ATP, criado em 1973.

Na história da Copa Davis foi e é, sem dúvidas, o principal destaque brasileiro, tendo participado da disputa 16 vezes. Neste período enfrentou 44 adversários, realizou 118 jogos e venceu 74 vezes, sendo 46 em simples e 28 em duplas. Com Édson Mandarino formou uma dupla inesquecível e vitoriosa, com 23 vitórias e apenas nove derrotas.

Nos jogos Pan-americanos, Koch conquistou quatro medalhas para o Brasil, sendo duas de ouro, em Winnipeg 1967, uma de prata e uma de bronze.

Vários confrontos de simples foram destaque na carreira de Thomaz Koch e como falamos do início não temos a intenção de esgotá-los aqui. Citamos alguns que consideramos de fundamental importância em sua jornada.

Gstaad, 1965 – vitória na final sobre o compatriota Ronald Barnes por 6/3, 6/1, 7/9, 7/5. Neste mesmo torneio viria a ser campeão de duplas ao lado de Barnes;

Barcelona, 1966 – vitória na final sobre o croata Nikola Pilic por 6/3, 6/2, 3/6 e7/5;

Calcutá, 1966 – derrota na final da Copa Davis para o indiano Ramanathan Krishnan por 6/4, 4/6, 6/4, 4/6 e 1/6;

Wimbledon, 1967 – vitória sobre o americano Charlie Pasarell por 6/4, 4/6, 4/6, 8/6 e 6/4, nas oitavas de final;

Roland Garros, 1968 – vitória sobre o favorito francês François Jauffret por triplo 6/1, nas oitavas-de-final;

Washington Star, 1969 campeão ao derrotar Arthur Ashe (8º do mundo) por 7/5, 9/7, 4/6, 2/6 e 6/4;

Aberto da Suécia, 1975 – vitória sobre o sueco Bjorn Borg por 6/2, 6/3 nas quartas-de-final;

Thomaz Koch, o Zé Naba, como carinhosamente é tratado pelos amigos, não estabeleceu um momento certo para encerrar sua carreira como tenista profissional. Como bem disse seu amigo e parceiro de trabalho de muitos anos, Domingos Venancio, ele foi parando de jogar. “O Thomaz não parou de jogar, ele foi parando de jogar. Teve um lesão muito séria no fim dos anos 70, teve hérnia de disco, que na época era um tabu tremendo e que forçou vários atletas de diversos esportes a pararem de jogar, uma cirurgia quase que definitiva para a carreira de qualquer jogador, e ele operou e voltou a competir. Ficou um ano sem jogar e voltou diminuindo o ritmo, permanecendo até 1984 em jogos de simples e por volta de 1986 em duplas, mas nunca anunciou que iria parar de jogar.

 Após sua retirada das competições oficiais da ATP como tenista profissional, Koch atuou como técnico dos brasileiros Ricardo Acioly, Fernando Roese, José Amin Daher, Carlos Chabalgoyti, Cezar Kist e Edivaldo de Oliveira, dos alemães Rick Ostertun e Patrick Kuenem, que junto com Boris Becker jogaram Copa Davis, e do peruano Jaime Yzaga, com quem permaneceu por mais tempo.

 Em parceria com Domingos Venancio, treinou uma equipe de base que contou com os tenistas Bruno Soares, Joana Cortez e Horácio Melo.

 Mais recentemente, Koch vem acompanhando, a convite da CBT, as equipes brasileiras que atuam na Copa Davis e Fed Cup, além de participar como comentarista de TV em alguns eventos de tênis, como o Rio Open.

 Sempre com uma atuação efetiva em eventos beneficentes e que buscam levar o tênis para as camadas mais necessitadas da população, Koch é padrinho dos Projetos WimBelemDon, em Porto Alegre, e Tênis na Lagoa, no Rio de Janeiro.

 O tênis brasileiro só pode dizer uma coisa a você, Thomaz Koch: muito obrigado!


 Fontes:

“O que é o Tênis”, de Silvia Vieira e Armando Freitas – 2009; e

O Tênis no Brasil, de Gianni Carta e Roberto Marcher – 2004.


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