Marian Vajda: o gênio por trás do monstro!

Início    /    Colunistas    /    Marian Vajda: o gênio por trás do monstro!
Por Sylvio Bastos  •  12 de Setembro de 2018

Por Sylvio Bastos

Eu poderia muito bem vir aqui e falar o que todo mundo já sabe sobre Novak Djokovic. Poderia falar das óbvias qualidades do sérvio, que incluem regularidade, consistência, resiliência e uma condição física absurda. Mas acho que muita gente competente já fez isso, falando e escrevendo muito bem sobre todos esses aspectos. Exatamente por isso vou aproveitar esse espaço para falar um pouco da genialidade de Marian Vajda.

A relação entre os dois começou bem lá atrás, em 2006, quando Djokovic ainda era o 81º do mundo. De 2007 em diante, o sérvio se tornou Top 3 pelos dez anos seguintes, além das mais de 100 semanas como número um do mundo. No início de 2017, Djokovic resolveu demitir toda sua equipe e buscar novos caminhos, que claramente deram errado. Caminhos que o tiraram dos melhores do mundo pela primeira vez desde 2006.

Em abril de 2018, depois da derrota para Benoit Paire em Miami, o sérvio resolveu retornar com Vajda e seu preparador físico Gebhard Gritsch, demonstrando muita consciência e, acima de tudo, humildade. Depois de muitas conversas e algumas mudanças, os resultados voltam a acontecer já na grama de Queens, sendo finalista do ATP 500. Em seguida, os títulos de Wimbledon, Cincinnati e US Open o recolocaram de volta ao Top 3. Acredito que nem nos sonhos mais otimistas eles poderiam imaginar esses resultados em tão pouco tempo.

É sempre bom lembrar que o treinador de tênis tem a estranha missão de ser contratado pelo jogador exatamente para lhe dizer o que ele tem de fazer, mas se esse discordar, pode demiti-lo imediatamente. Exatamente como aconteceu com Marian Vajda, mas diferente de muitos outros casos, houve humildade de ambas as partes para que se retomasse o trabalho, mais forte do que nunca. Se existia algum tipo dúvida em relação ao trabalho nos onze anos em que estiveram juntos, agora não existe mais. Esses últimos resultados são a maior comprovação da qualidade do que vem sendo feito por esses dois.

Em muitos torneios, tive a chance de presenciar a relação deles dentro e fora da quadra. Vajda é um trabalhador perfeccionista, que pode ficar horas buscando a perfeição. Por outro lado, Djokovic é um jogador que gosta de ser exigido além do seu limite todos os dias e, além disso, também se divertem muito quando estão juntos, sem perder o foco e a qualidade do trabalho. Depois desses cinco primeiros meses surpreendentes, fica a dúvida do que pode acontecer. E a certeza de que coisas grandes acontecerão!

Publicidade