Marketeabilidade (ou Stan Black Bridge)

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Por Admin CMS  •  11 de Julho de 2016

Maio de 1997: em conversa com meu fornecedor de raquetes - sem nenhuma alusão a canção “Take a walk on the wild side”(pesquisar letra), do grande Lou Reed -, pergunto se ele não pode me enviar quatro novos “tacos”...  “o modelo do Muster”, digo a ele: “não vai dar, o modelo saiu de linha...”.

Ok, tenho que pensar em outro “taco”. Uma semana depois, ele me liga e diz: “a raquete vai continuar”! Claro! Guga venceu em Roland Garros e agora é a raquete do Guga... milhares de encomendas em todo o mundo!

O uniforme super colorido, de gosto prá lá de discutível (ok, gosto não se discute!) era do Kafelnikov.

Virou a roupa do Guga e... claro, sucesso absoluto de vendas!

Guga entrava em quadra para jogar com uma raqueteira vazia, murcha, contendo apenas duas ou três raquetes e... bananas. Sem munhequeiras, total simplicidade. Para treinar, duas raquetes na mão. Nem uma bolsa!

Até hoje, anos após sua aposentadoria, ainda é um dos atletas de maior exposição na mídia e televisão, com dezenas de contratos publicitários vigentes. Guga vende de tudo!

Várias razões fazem do atleta (tenista) um sucesso de marketing. Pode-se aprender a “vender o peixe”, mas algumas pessoas tem um impacto natural, indiscutivelmente. Na Li, Chang, Srichapan, Henman, Hewitt, Murray, Nishikori, Vilas, Koch, Noah e outros tem (ou tiveram) grandes públicos, cativos, dentro de seus próprios países, com forte poder de compra. Agassi, Rafter, Sharapova, Kournikova, Nadal, Guga... Beatlemania! Federer, Sampras, Haas, outro público. Também mais específico. Enfim, tudo isso começou com Ted Tinling (anos 60 e 70) e suas modelos “fashion” exclusivas (entre elas, Billie Jean King , Rosie Casals, Virginia Wade e Maria Esther Bueno), mas “explodiu”  com a chegada do grande Bjorn Borg, no inicio dos anos 70. Sem nenhum esforço, discurso ou atitude, mudou completamente os níveis de popularidade do tênis! Apenas sendo ele mesmo, o Ice Borg! O maior fenômeno de sucesso popular jamais visto no tênis até então! O primeiro tenista a se tornar um ícone dos esportes. E só pensava em jogar e vencer! E fazia exatamente isso!!

Por isso mesmo, em tempos de autopromoção em que tudo é personalizado, com mensagens, logos, codinomes e apelidos impressos em todas as peças do equipamento dos tenistas, quero falar de um jogador, que parece ter criado um “alter ego”  ou uma nova personalidade, desde que melhorou demais o seu nível de tênis, ou talvez tenha melhorado em função da mudança... qui lo sa?

Cracásso!! Dono de uma das melhores esquerdas da história do tênis, vencedor (até agora) de dois Grand Slams e um Master 1000 , além da Copa Davis e da medalha Olimpica em duplas (ao lado de Roger Federer), Stanislas Wawrinka, o eterno parceiro do Fedex , e eterno  número dois da Suíça, resolveu mudar de visual e atitude, investindo em uma nova imagem, com muito mais (como diria o técnico Tite) marketeabilidade! Passou a usar roupas muito extravagantes em quadra, como a bermuda quadriculada “toalha de cantina italiana”, que depois virou chaveiro e talismã... ou o uniforme “jujubão do depósito de doces”... Pediu que passassem a chama-lo de Stan, exibe em sua raqueteira o nome “Stanimal”, o plástico que envolve as raquetes recém encordoadas, bem como seus calçados de tênis ostentam o nome “Stan The Man”, e as camisas de treino alardeiam: Iron Stan, em alusão ao super-herói Iron Man. Haja auto estima! Meeenaaas, Stanislas, menas!

Se a imagem não refletir o interior, não cola. Quem pode esquecer o nosso grande Erasmo Carlos, o “Tremendão”, em “tremendos” apuros no primeiro Rock In Rio , em 1985, fantasiado de “metaleiro”, cantando para os fãs do Iron Maiden (não do Iron Stan!) e Judas Priest? Pois é. Nosso amigo Wawrinka, com sua eterna expressão de “foto da carteira de identidade”, não precisa de nada disso... “Let the raquet do the talking”, dizia o grande Pete Sampras, que surgiu no tênis como Sweet Pete, e, sem mudar em nada suas atitudes ou visual, transformou-se, à base de saques, no Pistol Pete! Ou Gustavo Kuerten , que nunca pediu prá ser Guga, ou Gugá!  Não posso deixar de associar essa história dos nomes Stan e Stanislass ao genial Stanislau Ponte Preta, alter ego do escritor Sergio Porto... como Stanislau ele escreveu o impagável “Samba do Crioulo Doido”, (em pleno ano de 1968),  uma das maiores obras da nossa cultura popular. Quem sabe , não veremos em breve nosso grande Wawrinka a apresentar mais um, entre seus múltiplos  codinomes.... Stan Black Bridge?

 

Homenagem de Bruno Soares em foto publicada pela ex-tenista e jogadora de beach tennis, Joana Cortez (ambos na foto), a Domingos Venancio último à dir.) e Thomaz Koch (primeiro à esq.): "dois gênios do nosso esporte". Homenagem de Bruno Soares, em foto publicada pela ex-tenista e jogadora de beach tennis, Joana Cortez (ambos na foto), a Domingos Venancio (último à dir.) e Thomaz Koch (primeiro à esq.): "dois gênios do nosso esporte".

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