O desenvolvimento do jogador de tênis infanto - 3ª parte

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Por Nittenis News  •  31 de Março de 2021

A importância da competição no processo de formação

Por Haroldo Zwetsch

A competição é vital para o processo de formação de um tenista.

Por que ela é vital? Porque as pessoas treinam para jogar e competir.

Ela extrai os mais diversos sentimentos, como motivação, alegria, frustração, indignação (como eu não consigo acertar essa bola, ou ganhar daquele adversário?!), entre outras.

Ela é a base de tudo, o que norteia os treinos, a intensidade e o tempo de aprendizado.

As crianças, em geral não fazem como os adultos, que combinam de jogar aos sábados ou têm uma turma para jogar. As crianças competem e o ambiente de competição torna-se o lugar onde fazem amigos no esporte e se socializam.

A competição pode ser qualquer tipo de evento, desde um torneio entre amigos até um torneio oficial. E quando se fala “oficial” significa ter pontuação válida para o ranking, seja estadual, nacional ou internacional.

Diante disso, entendo que a competição tem 5 estágios:

1º - Nossa! Como é legal competir e jogar tênis!

2º - Prefiro competir/ jogar tênis a fazer outra coisa.

3º - Tenho meus amigos e adoro o ambiente!

4º - Rendimento: Consigo fazer o que o meu professor me pede, ou melhorei um golpe dentro do jogo.

5º - Resultado: Consigo vencer mais adversários e ganhar títulos.

Dessa forma, entender os estágios da competição é algo crucial para elaborar e construir o calendário de forma saudável e estimulante para o jogador.

Essas fases são determinantes e as três primeiras são de extrema importância para que não ocorra um “burn out” precoce e, principalmente, porque no Brasil vivemos a cultura do “Rubens Barrichello”: se você não é o primeiro colocado, você é ruim, já que ninguém quer saber do segundo colocado em diante. Isso é um fato!

Um fator muito importante para a elaboração de um bom calendário é saber a quantidade de torneios a serem disputados em um ano. Então, quantos torneios a criança deve jogar? Quando são “oficiais”, eu sempre sigo a idade da criança: se ela tiver 7 anos, deverá participar de 7 torneios em um ano, e isso deve ser seguido até os 12 anos. Já torneios recreativos no clube, festivais e outras competições não oficiais, pode-se participar de quantos quiser, desde que a criança queira jogar.

Em outros países, as crianças, em geral, jogam muito, mas as principais diferenças para o Brasil são: a cobrança e a cultura “Rubens Barrichello”, que atrapalham e fazem com que a criança sofra uma pressão excessiva.

Essa cobrança acontece para os dois lados, tanto para a criança que perde muito quanto para a que ganha muito. Diante disso, a elaboração de um bom calendário está vinculada a 3 pontos-chave:

1º - Criar nível de desafio Ideal.

2º - Melhorar a performance nas competições.

3º - Ter resultados sequenciais do jogador. Um resultado isolado, tanto para mais, quanto para menos, não deve ser motivo de alteração do planejamento.

Concluo esclarecendo, ainda, que existem estudos que comprovam que não faz a mínima diferença se a criança ganha ou perde nas fases mais tenras e na adolescência. Não quer dizer que quem é bom na infância vai ser bom no futuro, ou seja, não significa, se você é número 1 do Brasil aos 12 anos, que será um profissional muito vencedor na vida adulta.

Contato com Haroldo Zwetsch: WhatsApp 16-99633-5454

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