Sonhando junto

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Por Sylvio Bastos  •  29 de Setembro de 2018

Depois da repercussão do último post, decidi seguir falando nessa mesma linha, fiquei impressionado com a quantidade de visualizações e comentários, assim como o interesse de todos sobre esse assunto. Muita gente envolvida com o tênis, em diferentes áreas, deu a sua opinião e me motivou a continuar com esse debate. Na verdade a minha ideia hoje é falar um pouco da relação do treinador com o jogador, essa relação forte e complicada que muitos comparam com um casamento, onde os dois lados precisam se entregar por inteiro, além de se doarem sem limites.

O título do post é uma alusão à celebre frase de Miguel de Cervantes: “Quando se sonha sozinho é apenas um sonho, quando se sonha juntos, é o começo da realidade.” Em todos os meus anos viajando pelo mundo, pude ver muitas relações de treinadores e jogadores que deram muito certo e, em todos esses casos de sucesso, um ponto sempre foi fundamental nessas relações, os dois lados sempre sonhavam o mesmo sonho. Em uma relação que se tem quase a certeza da frustração da derrota em todas as semanas que se joga, é sempre fundamental que haja essa sintonia. É claro que não se pode descartar a capacitação do treinador, que deve ser constante, mas é bom lembrar que a troca que existe nas viagens e nos torneios é muito grande, onde todos aprendem na prática o que realmente acontece dentro de uma quadra de tênis.

Em um meio tão competitivo como o dos circuitos de tênis, os pequenos detalhes é que vão sempre fazer as grandes diferenças. Recentemente ficou muito claro com a volta de Marian Vajda, o quanto ele ainda tinha sonhos ao lado de Djokovic, os resultados foram imediatos, porque a sintonia sempre existiu. A relação de Rafael Nadal com seu tio Toni é também um belo exemplo de quem sonhou junto o mesmo sonho, assim como Guga e Larri. Independente do nível que se jogue, seja buscando o nº 1 do mundo ou apenas passar um quali juvenil, a emoção pela vitória ou a frustração pela derrota é literalmente a mesma. Acredito que no juvenil essa entrega deva ainda mais sonhadora, já que os valores são bem menores e não existe premiação.

A conclusão que eu chego é muito simples, na hora de se buscar ou contratar um treinador, o currículo vai sim, ser importante, mas não é o fundamental, a grande diferença vai estar no fato de se sonhar junto o mesmo sonho, para se alcançar o mesmo objetivo. No momento que o jogador percebe isso na relação com o treinador, fica muito mais fácil de se trabalhar e cobrar superação de limites e, é claro, de se obter bons resultados. Nunca deixem de acreditar nos seus sonhos e, também de ter perto quem acredita neles na mesma intensidade!

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