Sylvio Bastos: o que fizeram com a Copa Davis?

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Por Sylvio Bastos  •  20 de Agosto de 2018

Por Sylvio Bastos

Venho me fazendo essa pergunta desde a última semana, quando a ITF anunciou todas as mudanças para 2019. Demorei um pouco para escrever porque, sinceramente, ainda não encontrei a resposta, mas um pensamento não me sai da cabeça: como o presidente da ITF, David Haggerty, conseguiu aprovar tantas mudanças em uma só reunião, quando nenhuma outra diretoria da entidade aprovou mudança alguma em 118 anos de Copa Davis? A ITF sempre demonstrou ao longo dos anos ser uma entidade super tradicional, e tive essa certeza no final de 2014, quando estive em Lille, na final entre França e Suiça, na festa de encerramento, onde uma banda de senhores ingleses cantou Beatles por toda noite. Nada poderia ser mais britânico e tradicional que isso!

Apesar de obviamente nunca ter disputado um jogo de Copa Davis, tenho na memória muitas recordações, com certeza, as melhores de toda a minha vida no tênis. Desde os anos 70, com Koch e Mandarino jogando no Fluminense os confrontos Zonais Sul Americanos, passando pelos anos 80 e os times do gênio Paulo Cleto, depois os grandes resultados de Guga e Meligeni, assim como a vitória sobre a Espanha no Ibirapuera com Bellucci, Bruno e Marcelo. Todos os confrontos que estive presente foram inesquecíveis, mas estar na arena montada no estacionamento do Barra Shopping na vitória sobre a Alemanha de Boris Becker, em 1992, foi indescritível. Tudo ali dentro foi mágico, só mesmo quem esteve pode saber. Outro momento, não menos especial, talvez com menos envolvimento, foi o da final entre França e Suiça em Lille 2014, com vitória de Federer e Wawrincka em cima de Tsonga, Monfils e Gasquet. Nesses dois momentos pude literalmente sentir o espírito da Copa Davis. Ali pude ter a certeza que o dinheiro muito pouco importava para cada um dos times envolvidos, a vontade de buscar a vitória representando seu país era e sempre foi muito mais forte!

Já em 2019, o novo formato com todas as mudanças vai entrar em vigor: sede única, disputa em apenas duas semanas, confrontos com três jogos de três sets e algumas outras menos impactantes. Uma coisa é certa e se pode afirmar: alguma mudança precisava ser feita; mas descaracterizar todo uma formato de disputa, para se tornar atrativo para os jogadores e rentável para a entidade, só mesmo o tempo vai poder dizer se valeu a pena. O senhor David Haggerty pode ficar marcado na história do tênis mundial como o presidente que salvou definitivamente a Copa Davis, ou simplesmente alguém que enterrou o evento mais tradicional da história do esporte. Quem viver verá! 

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