Teste negativo em Wimbledon é bom para Bia, mas não surpreende, diz nutricionista

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Por David Mijalchik  •  01 de Agosto de 2019

O resultado negativo no antidoping de Bia Haddad, em Wimbledon, foi uma boa notícia para a tenista. Mas está longe de inocenta-la, ou mesmo de ser uma surpresa. É o que explica Helton Finocchio, especialista em nutrição esportiva que trabalha com tenistas juvenis e profissionais. Ele falou exclusivamente com a Nittenis sobre o caso de Bia, flagrada no dia 4 de junho pelo uso de SARMs – moduladores seletivos do receptor de androgênio.

- Isso é graças à meia-vida dos SARMs. Talvez seja uma carta na manga da defesa, que poderia estar esperando o resultado desse teste. Mas como a meia-vida desse produto é pequena, não há nenhuma surpresa – explicou Helton.

Os SARMs são drogas com o mecanismo semelhante ao dos anabolizantes: promovem o aumento da massa muscular e reduzem a gordura. Já a meia-vida é o intervalo de tempo para uma amostra se reduzir à metade. Os SARMs, de forma geral, tem tempo de meia-vida de apenas poucos dias ou mesmo horas. Ou seja, passado esse ciclo sucessivas vezes, a presença do produto no corpo diminui a quase zero, tornando-se indetectável. O que pode explicar o teste positivo durante o WTA de Bol, na Croácia, em junho, e o resultado negativo em Wimbledon, menos de um mês depois.

Nos últimos quatro anos, outros três tenistas brasileiros caíram no antidoping: Marcelo Demoliner, Thomaz Bellucci e Igor Marcondes. Todos foram flagrados com a substância hidroclorotiazida e acusaram a farmácia de manipulação de contaminação cruzada. “Estratégia batida”, na opinião de Helton Finocchio.

- Essa defesa já caiu por terra para qualquer atleta profissional. As farmácias de manipulação tem um controle rígido – afirmou o nutricionista. – Se a Bia usou (SARMs) por falta de conhecimento, já errou. E se usou por indicação de algum profissional, o erro é maior ainda. Ela é obrigada a agir com cautela, mas não a conhecer a fundo o que foi prescrito – completou.

Quem também falou com a reportagem sobre o tema foi Bichara Neto, advogado responsável pela defesa da jogadora. Até agora, ele não descarta qualquer possibilidade, mas acha improvável que a tenista tenha consumido o produto por negligência.

- Bia é uma atleta muito diligente e cuidadosa com tudo que ingere. Ela sempre informa e consulta previamente a ITF a respeito de qualquer medicação ou suplemento que precise ingerir. Mas, apesar disto, ainda é cedo para descartar qualquer hipótese para a origem da substância em seu organismo – disse Bichara à Nittenis.

O advogado não respondeu às demais perguntas da reportagem, justificando que poderia prejudicar o sigilo do processo. A tenista está suspensa provisoriamente desde o dia 23 de julho.

Apesar das poucas pesquisas, há indícios de que os SARMs impactem negativamente no sistema endócrino, cardíaco e aumentem o risco de câncer. O produto é proibido pela Agência Mundial Antidoping – Wada – desde 2008.


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